Governo disponível para transferir gestão de 477 imóveis para as autarquias

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Governo disponível para transferir gestão de 477 imóveis para as autarquias

O Governo está pronto para transferir a gestão de 477 imóveis para as autarquias, que poderão servir para habitação acessível e fins culturais e sociais.

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Foto: João Marques - RTP

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Lusa / Adicionar como fonte informativa

Sarmento insiste que Governo fez "muito mais" pela habitação do que executivos anteriores

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, insistiu hoje no parlamento que o Governo já fez quase tudo na resposta à crise na habitação, afirmando que fez "muito mais" do que executivos anteriores.

"O Governo tomou um conjunto muito significativo de medidas na habitação, muito mais do que aquilo que tinha sido feito em governos anteriores, seja na habitação pública, seja na construção a preços moderados, seja no mercado de arrendamento", disse Joaquim Miranda Sarmento, numa referência aos governos do PS liderados por António Costa, durante uma audição de discussão na especialidade da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

Sarmento respondia a perguntas do Livre, partido com quem o ministro da Habitação, Miguel Pinto Luz, admitiu, na segunda-feira, discutir propostas sobre este setor.

Na audição de hoje, na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), o ministro das Finanças criticou algumas das propostas referidas pela deputada do Livre Patrícia Gonçalves como soluções para resolver a crise habitacional.

No início da sessão, o ministro reiterou o que afirmou numa entrevista recente ao jornal Expresso em relação ao trabalho do Governo do PSD e CDS-PP nesta área, dizendo que aquilo "que podia ser feito foi quase tudo feito".

"O OE2027 representa o que foi, nas diferentes áreas de governação, os dois anos e meio de governação da AD", vincou, enumerando medidas como a redução do IVA da construção e as rendas moderadas.

Para o governante, o executivo já fez muito, mas os resultados demoram tempo a surtir efeito, argumentando que o mercado tem "problemas estruturais formados nos dez anos anteriores" à governação da Aliança Democrática (AD).
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RTP / Adicionar como fonte informativa

Governo disponível para transferir gestão de 477 imóveis para as autarquias

O Governo está pronto para transferir a gestão de 477 imóveis para as autarquias, que poderão servir para habitação acessível e fins culturais e sociais.

Foto: Andreia Custódio - RTP

Através de um comunicado, o Ministério das Finanças diz que foi enviada uma carta aos municípios com a identificação do património público imobiliário.

A tutela adianta que "cabe agora às autarquias analisar os imóveis disponíveis na referida listagem”, tendo até ao dia 31 de dezembro para sinalizar aqueles que pretendem colocar ao dispor da população.

A lista identifica o património público imobiliário sem utilização na circunscrição territorial das autarquias e a que estas se poderão candidatar a gerir.

No comunicado, os ministérios das Finanças, da Economia e da Coesão Territorial e das Infraestruturas e Habitação assinalam que as autarquias "poderão ainda identificar outros bens de património imobiliário público sem utilização na respetiva circunscrição territorial e solicitar a transferência da sua gestão".

A identificação destes imóveis foi feita pela Estamo, empresa pública de gestão de ativos imobiliários, que concluiu o processo de cadastro de 60.000 imóveis públicos "seis meses antes da data prevista".

"Além dos 477 imóveis agora disponibilizados, já foram mapeados os imóveis pertencentes aos institutos públicos e os que resultaram da transferência de propriedade das extintas Administrações Regionais de Saúde, num total de 80 mil", lê-se ainda no comunicado.

O Governo sublinha que uma das suas prioridades passa pela transferência da gestão de imóveis para os municípios, "que os poderão adequar às necessidades das populações - habitação acessível, fins culturais, serviços municipais, unidades de saúde e outros fins".

“Desde 2024, foram transferidos 95 imóveis para 64 municípios, correspondendo a um investimento de 80 milhões de euros”, recordam os ministérios.

c/Lusa
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Lusa / Adicionar como fonte informativa

PSD e CDS avançam com cobrança coerciva por vandalismo em património nacional

PSD e o CDS vão propor em sede de especialidade do Orçamento a possibilidade de cobrança coerciva por danos relacionados com atos de vandalismo em património nacional, caso não exista pagamento atempado no final de 30 dias.

Esta medida foi avançada pelo líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, numa conferência de imprensa sobre alterações ao Orçamento do Estado na especialidade, em que defendeu o princípio de quem "vandaliza património nacional", seja propriedade do Estado central ou das autarquias, tem de pagar o dano.

"Quem paga a limpeza é quem provocou o dano. É preciso proteger o património nacional", declarou Paulo Núncio, tendo ao seu lado o presidente da bancada do PSD, Hugo Soares.

A identificação dos autores do dano, segundo o líder parlamentar do CDS, será feita pela Polícia Municipal, tendo depois um período de 30 dias para pagar os custos da limpeza. Caso contrário, terá lugar um processo de execução fiscal.

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Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa

PR deixa recado aos partidos: "Quando há vontade há resultados"

Questionado sobre as reuniões dos partidos com o Governo sobre a crise da habitação, António José Seguro disse que "quando há vontade há resultados" e "os portugueses exigem resultados”.

Nuno Veiga - Lusa

"Quando há vontade há resultados. Eu espero que se concretizem", disse o presidente da República esta sexta-feira em declarações aos jornalistas em Salamanca, Espanha.

Questionado se estava desiludido com as reuniões de quinta-feira sobre a habitação, Seguro começou por responder que "este é o tempo dos partidos e do Governo, não é o tempo do Presidente da República".

"Os portugueses exigem resultados, exigem que a sua vida melhore e é esse o papel da política", acrescentou.
O Governo reuniu-se na quinta-feira com o PS e o Chega com o intuito de dialogar sobre os problemas da habitação. Os encontros terminaram sem entendimentos e com troca de acusações.

José Luís Carneiro lamentou a “intransigência” do Governo e disse não ter sido alcançado um acordo sobre a lei das rendas. A AD, por sua vez, acusou o PS de negar a realidade. Já André Ventura acusou os socialistas e o Governo de estarem a empurrar com a barriga problemas que ambos criaram.

Os encontros continuam esta sexta-feira com os pequenos partidos.

Na quinta-feira, em Madrid, Seguro manifestou expectativa de que se realizem mais reuniões sobre a habitação entre os partidos e o Governo, recusando que tudo se resolvesse na primeira ronda de encontros.

“Eu julgo que nós devemos esperar, devemos esperar pelo que vai acontecer quer na reunião de hoje, quer nas seguintes. Quer dizer, não tenho nenhuma expectativa que tudo hoje se resolva", afirmou António José Seguro aos jornalistas em conferência de imprensa após o final da 30.ª Cimeira Ibero-Americana.
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RTP /

Reunião sobre Habitação. AD quer que PS assuma responsabilidade pela crise

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusa o primeiro-ministro de "intransigência" e lamenta a "indisponibilidade" de Luís Montenegro para começar do zero a negociação da lei das rendas.

André Ventura responsabiliza PS e PSD pela crise na habitação e diz que os dois partidos estão a "empurrar com a barriga" o problema.

O presidente da República pediu a todos para se sentarem e ouvirem as propostas uns dos outros. Mas, no final, ficou claro que as conversas também serviram para marcar ainda mais as distâncias entre cada um.

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RTP /

BE avança com 30 propostas para habitação e regresso do 'autovoucher' nos combustíveis

O BE apresentou hoje 30 propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2027 na área da habitação, incluindo tetos às rendas e agravamento fiscal para fundos de investimento, e defendeu o regresso do 'autovoucher' nos combustíveis.

Em conferência de imprensa, na Assembleia da República, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, apresentou um total de 57 propostas de alteração ao Orçamento, incluindo 30 sobre a crise na habitação, desafiando a restante oposição a "enterrar" a lei do arrendamento do Governo durante a apreciação na especialidade.

O bloquista propôs a instituição de uma renda máxima nos novos contratos de arrendamento, um travão de 1 % à atualização das rendas já no próximo ano, limite às cauções e um prazo de 30 dias úteis para regularizar rendas em atraso sem despejo.

"Podemos enterrar a lei dos despejos já no Orçamento do Estado e é esse o desafio que nós deixamos", apelou Fabian Figueiredo, realçando que a lei orçamental "tem valor reforçado e sobrepõe-se a qualquer outra".

Outra das propostas do BE, intitulada "Travão Caixa", sugere que a Caixa Geral de Depósitos (CGD), enquanto banco público, trave aumentos nas prestações do crédito à habitação: durante 12 meses, o banco não repercute nos créditos à habitação própria e permanente as subidas das taxas do Banco Central Europeu decididas em 2026.

O BE defende o fim dos benefícios fiscais para fundos imobiliários propondo, em sentido oposto, um agravamento: IMT de 50 % na aquisição de habitação por fundos de investimento, Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária, fundos de pensões e grandes proprietários com mais de dez fogos, sem acesso a isenções, bem como Imposto do Selo de 10 % na compra de imóveis por fundos e sociedades de investimento imobiliário.

Os bloquistas querem ainda impedir que imóveis do Estado com aptidão habitacional possam ser alienados a privados, sendo transferidos gratuitamente para o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) ou para municípios, e propõem ainda a regulação do alojamento local e moratória à expansão hoteleira nos territórios sob pressão, entre outras.

Fabian Figueiredo -- que adiantou que o BE vai apresentar um total de 300 propostas de alteração ao documento do Governo -- propôs ainda o regresso do 'autovoucher' nos combustíveis, medida que vigorou entre 2021 e 2022, no Governo liderado por António Costa, para mitigar a subida de preços neste setor.

Os bloquistas propõem um 'autovoucher' de vinte euros mensais durante o primeiro semestre de 2027, "creditado automaticamente e devolvido na conta bancária após o primeiro abastecimento de cada mês, prorrogável até ao fim do ano enquanto os preços se mantiverem acima dos níveis anteriores ao conflito" no Médio Oriente.

Entre as propostas do BE estão também a subida do Salário Mínimo Nacional para 1.050 euros a partir do próximo ano, subsídio de refeição para todos os trabalhadores, incluindo no setor privado, reposição do IRC a 21% para empresas que faturam mais de 50 milhões de euros por ano e a duplicação do AIMI (Adicional ao Imposto Municipal sobre Imóveis), que em 2017 ficou conhecido como "imposto Mortágua".

Lusa
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Lusa / Adicionar como fonte informativa

IL com 24 medidas para facilitar construção e criar "choque na oferta"

A presidente da Iniciativa Liberal (IL) acusou os três maiores partidos de bloquearem o país por falta de entendimento na habitação e apresentou 24 medidas para criar um "choque na oferta" no país.

"O partido do Governo e os dois maiores partidos da oposição, aquilo que têm feito nos últimos anos, é bloquear o país, não têm como objetivo encontrar soluções, movem-se por taticismo político", afirmou Mariana Leitão, afirmando não ver com "surpresa o desfecho das reuniões" de quinta-feira entre o primeiro-ministro e PS e Chega.

Mariana Leitão, que falava na Malveira, no concelho de Mafra, Lisboa, simbolicamente junto a uma casa em construção, apresentou 24 medidas que hoje vai propor ao Governo na área da habitação, considerando que o apelo do Presidente da República para entendimentos nesta área foi importante.

"São propostas que incidem em três áreas essenciais, construir, construir, construir, libertar os imóveis que estão parados e criar condições para pôr mais casas no mercado de arrendamento, que têm de ser trabalhadas em conjunto para conseguirmos criar esse choque de oferta", sublinhou Mariana Leitão.
A líder da IL recordou que nos anos 80 do século XX, Portugal atravessou uma crise na habitação à qual o país respondeu com a construção de mais casas. "Fizemo-lo uma vez, podemos voltar a fazê-lo", defendeu.

Não só a construção de habitação veio a abrandar depois de 2005, como também Portugal aumentou em mais de um milhão de pessoas a sua população, sublinhou.

"Mais população, menos casas, preços a subir", concluiu, lembrando que "o valor das casas se agravou em 66% e as rendas subiram 36%, quase o dobro da média europeia".

Para Mariana Leitão, é preciso construir "mais rápido, mais simples, mais barato". A líder da IL propôs a criação de um portal nacional do licenciamento, regras iguais para construir em todo o país, maior disponibilização de solo rústico em zonas urbanas e IVA a 6% em toda a construção para habitação.

A isenção do pagamento de impostos nas doações em vida e nas heranças de casas, assim como na venda de terrenos para habitação, colocar casas fechadas para arrendamento com isenção de IRS para os senhorios e criação de um seguro que funcione como garantia bancária para quem precisa de arrendar e não necessite de pagar "à cabeça" vários meses de renda foram outras propostas apresentadas pela presidenre do partido.
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RTP /

Habitação. Santos Silva pede Belém "mais enérgico"

Augusto Santos Silva criticou o Governo por insistir na Lei das Rendas, afirmando que a legislação desequilibra a relação entre inquilinos e senhorios.

O antigo presidente da Assembleia da República e ex-ministro defendeu ainda que o Presidente da República deveria ter uma postura "mais enérgica" perante os recentes confrontos entre a polícia e os manifestantes pelo direito à habitação
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Lusa / Adicionar como fonte informativa

Acampada de Lisboa reafirma que não sai do Rossio

A Acampada de Lisboa aprovou hoje um texto de resposta às propostas da Câmara Municipal de Lisboa em que reafirma que "não sai do Rossio", assim como os temas a discutir numa reunião com o Presidente da República.

Foto: Tiago Petinga - Lusa

O texto, aprovado pelo grupo de trabalho dedicado à Câmara Municipal de Lisboa (CML), que foi lido na assembleia popular e aplaudido pela generalidade das centenas de participantes, será divulgado como comunicado de imprensa, mas corresponde, genericamente, à resposta que Renata Cambra já tinha dado à autarquia depois da proposta que lhe foi endereçada pelo gabinete de Carlos Moedas.

A Câmara de Lisboa propôs hoje a Renata Cambra que mantenha apenas uma tenda no Rossio aquando do mercado de Natal e que os protestos pela habitação sejam deslocalizados para o Largo de São Domingos, Martim Moniz ou Restauradores.

"Desde quando é que reduzir uma manifestação coletiva a uma única tenda simbólica constitui uma solução de compromisso?", questiona a Acampada de Lisboa no texto que acusa a autarquia liderada por Carlos Moedas de procurar "construir a narrativa de que tentou dialogar, apresentou alternativas e fez todas as concessões possíveis para garantir o direito à manifestação".

A acampada de Lisboa acusa a CML de "começar pelo fim", ao propor a saída para outras praças em vez de tentar compatibilizar o protesto no Rossio com o Mercado de Natal e de "projetar uma imagem de tolerância e respeito pela democracia, apresentando contactos individuais e propostas de deslocação como se fossem resultado de um diálogo com a Acampada".

"Preocupa-nos que esta narrativa de uma Câmara que `tudo tentou` possa preparar o terreno político e mediático para justificar uma eventual nova intervenção policial, apresentando-a como inevitável e responsabilizando quem se manifesta. Não aceitaremos que a responsabilidade pela repressão seja transferida para quem exerce o direito à manifestação", afirma-se no texto.

Adriana Lima, umas das porta-vozes da Acampada de Lisboa, disse ainda aos jornalistas no final da assembleia popular que "este protesto é extremamente válido e extremamente importante" e que a crise na habitação "deve superar qualquer tipo de festival de Natal, quando há tanto espaço na cidade para o poder fazer".

A Acampada aprovou ainda que quer discutir na reunião com o Presidente da República a reversão da lei do arrendamento, o teto às rendas, o fim da especulação e a perseguição política aos imigrantes que participam nos protestos.

Ainda sem data marcada, foi hoje aprovado, depois de um longo e confuso processo de discussão e votação, que nessa reunião apenas será tratado o tema da habitação.

De fora fica a exigência, proposta por alguns participantes da assembleia popular desta noite, entre os quais Renata Cambra, de que fosse pedido ao Presidente da República, António José Seguro, que exigisse a demissão do Governo, ou apenas do ministro da Administração Interna, Luís Neves, o que, lembraram alguns presentes, o chefe de Estado não tem poder para fazer.

A Acampada de Lisboa acabou por aprovar a exigência de demissão de Luís Neves, tal como já havia feito a Acampada do Porto, deixando essa tomada de posição para uma comunicação em nome próprio e fora da agenda da reunião com Seguro.

No final de cerca de duas horas de votações, a assembleia popular decidiu ainda escrever aos grupos parlamentares a pedir propostas para habitação pública e ao Governo para pedir que desista da revisão da lei do arrendamento.

Sobre as previsões de chuva para os próximos dias, Adriana Lima disse que há conversas diárias sobre logística e que é ainda "muito cedo para dar uma resposta final" sobre a permanência na praça caso a meteorologia se agrave.

Um dos responsáveis da logística tinha referido anteriormente que estão a ser pensadas soluções para a permanência no local das tendas e da restante infraestrutura do protesto, que passam pela colocação de lonas como proteção, por exemplo.

Alguns manifestantes revelaram a intenção de passar a noite no Rossio, havendo dezenas de tendas montadas, em filas ordenadas e com corredores de passagem entre elas, num espaço organizado e limpo frente à estátua de D. Pedro IV.

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Governo, PS e Chega. Encontros com acusações e sem entendimento sobre habitação

O Governo reuniu-se ontem com PS e Chega com o intuito de dialogar sobre os problemas da habitação. Os encontros terminaram sem entendimentos, mas com troca de acusações.

Lusa

André Ventura diz que o PS e o Governo estão a empurrar com a barriga problemas que ambos criaram. José Luís Carneiro lamenta a intransigência de quem recusa fazer a Lei das Rendas a partir do zero. A AD acusa o PS de negar a realidade.

Hoje o governo prossegue as reuniões com os outros partidos da oposição, mas já só com os ministros e sem Luís Montenegro.
Intransigência, diz o PS
"Temos uma visão muito diferente sobre a forma como devemos responder às necessidades de habitação (...) Não poderemos dar o nosso consentimento a uma autorização legislativa com vontade de constituir uma lei ao arrepio dos nossos valores fundamentais", justificou José Luís Carneiro no final de uma reunião de uma hora e 45 minutos, esta quinta-feira, com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na qual estiveram também presentes os ministros das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento e da Habitação, Miguel Pinto Luz.

Do lado do PS, estiveram em São Bento o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias, o `vice` da bancada António Mendonça Mendes e a dirigente e autarca Luísa Salgueiro.

"Lamento que não tenha sido possível chegar a um acordo naquilo que era o essencial para responder às questões fundamentais dos jovens, das famílias e também da segurança que se estabelece para o futuro em relação à visão sobre habitação. Lamento, aliás, a intransigência do próprio primeiro-ministro e do Governo quanto à possibilidade de começarmos a construir um processo novo, um processo a partir do zero", afirmou José Luís Carneiro.

O líder do PS referia-se às alterações em curso ao regime do arrendamento urbano, feitas através de uma proposta de autorização legislativa por parte do Governo, já aprovadas na generalidade em 30 de setembro com votos a favor da maioria PSD/CDS-PP, da IL e a abstenção do Chega, após a assinatura de um acordo entre PSD e Chega para alterações na especialidade (fase que ainda não arrancou).

Carneiro explicou que, uma vez que foi rejeitada a proposta do PS de constituir uma equipa conjunta para construir uma nova lei das rendas e houve discordância nas duas matérias consideradas essenciais para os socialistas, não ficaram marcadas novas reuniões.

"Houve também uma manifestação de indisponibilidade para deixar cair a chamada renda moderada dos 2.300 euros. Era outra condição que tínhamos colocado desde a primeira hora, com toda a transparência", afirmou.

O secretário-geral do PS admitiu ter havido aproximações em propostas fiscais na área da habitação, que serão levadas à fase da especialidade do Orçamento do Estado, e deixou uma garantia ao Governo.

"Não está em causa o nosso contributo para a estabilidade política no país, mas é evidente que aqui temos uma visão muito diferente sobre a forma como se deve responder às necessidades da habitação", disse.Ventura apela a intervenção de Seguro e entrega 50 propostas
O primeiro-ministro recebeu também o líder do Chega em São Bento, após semanas de protestos nas ruas contra o custo da habitação, e das denominadas acampadas em Lisboa e no Porto, que já originaram várias cargas policiais.

André Ventura considerou que o PS tem de participar na construção de soluções para a habitação, por ser um dos responsáveis pela crise, e apelou à intervenção do Presidente da República.

"Parece-me francamente inaceitável que um dos grandes responsáveis da crise de habitação em Portugal chegado o momento de ir a resolver, diga que não tem nada a ver com isso e espera que o Chega resolva, entre aspas, o problema", disse Ventura aos jornalistas no final da reunião.

"Não sei se o Presidente da República também quererá ter aqui alguma palavra, no sentido em que estas reuniões decorrem uns dias depois de um Conselho de Estado, e penso que a ideia para o país é que os três maiores partidos assumam a sua responsabilidade", afirmou.

André Ventura garantiu que "o Chega não vai deixar que os causadores da crise da habitação não se responsabilizem por soluções na habitação".

"É preciso muita lata e muita falta de vergonha ter estado no Governo enquanto todo o cenário da habitação piorou e agora sair de uma reunião e dizer que não querem ter nada a ver com isto", criticou.

O líder do Chega disse ter trazido 50 propostas para a reunião com o primeiro-ministro e insistiu em medidas já no Orçamento do Estado para o próximo ano.

AD acusa PS de negar realidade
Por sua vez, os líderes parlamentares da AD devolveram ao PS as acusações de intransigência em matéria de habitação, com o social-democrata Hugo Soares a acusar os socialistas de tentarem negar a realidade.

"É mais fácil dizer não do que trabalhar numa solução", afirmou o presidente da bancada do PSD, no final da reunião em São Bento.

"O que me parece é que um partido que coloca como condição de negociação retirar tudo o que foi feito até agora, demonstra esse sim, não diria uma intransigência, mas uma absoluta negação da realidade", respondeu Hugo Soares a José Luís Carneiro.

O dirigente do PSD defendeu que "o país não está à espera que se entre numa lógica de passa-culpas, que gera uma infantilidade na política que não é boa para ninguém".

Hugo Soares questionou se o PS, que foi Governo durante oito anos, "acha que está tudo bem e que nada deve ser mudado", voltando a salientar que o atual regime do arrendamento é da responsabilidade de executivos socialistas.

"Se o preço das rendas é demasiado alto com a atual lei, é necessário mudar a lei. O Governo leva ao parlamento uma proposta de lei que tem como objetivo diminuir as rendas e o Governo e os partidos que suportam essa maioria no parlamento disponibilizam-se para negociar", disse. E acrescentou: "Não somos nós que estamos a dizer que não há negociação. Ora, se não somos nós que estamos a dizer que não há negociação, não somos nós, julgo eu, que estamos a ser intransigentes", disse.

Antes, também o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, tinha devolvido as acusações ao PS.

"O PS não obstante ter vindo à reunião, não obstante ter discutido as propostas, mostrou no final uma enorme intransigência no sentido de criar obstáculos quase intransponíveis para se poder chegar a um acordo abrangente em matéria de habitação", criticou.

Os dois líderes parlamentares da AD reiteraram "abertura total" para continuar a discutir no parlamento o regime jurídico do arrendamento na fase da especialidade com todos os partidos, a partir da proposta contida no pedido de autorização legislativa do Governo.

Na sexta-feira, seguem-se reuniões no parlamento com os restantes partidos (à exceção do JPP que será recebido na terça-feira) e os ministros das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, da Presidência, António Leitão Amaro, e dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim.


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